sábado, 24 de janeiro de 2009

Exame? Recuperação? Retomada dos Conteúdos?

Chegando ao final do ano letivo, aqui no Rio grande do Sul tem o exame. Em São Paulo temos a recuperação. Minha reflexão é: são parecidos ou não? Vejo que tem pontos convergentes e divergentes. O exame recupera nota, tem cálculos diferentes conforme a escola, digo isso com base na minha experiência no CTI e no CAIC. Isso me incomodou muito, pois já elaborei exames onde o aluno fez corretamente 80%, 70%, 60% da prova, mas conforme o cálculo não passaria. Confesso que como acredito que o aluno mostrou sua aprendizagem, usei um subterfúgio, não reprovei. Desconsiderei assim a nota em detrimento da aprendizagem. Reprovar por causa de números vai contra tudo que acredito em educação libertadora, emancipatória e crítica.

Em São Paulo a denominação é recuperação que pode ser através de provas (como no exame) ou quaisquer outros instrumentos de avaliação. Como não era nota e sim conceito, ficava muito mais fácil perceber a aprendizagem e decidir pela aprovação e reprovação. Por sinal avaliação, aprovação e reprovação merecem uma reflexão profunda. No início desta proposta os Pais e Professores reclamavam muito, mas a assimilação foi rápida, é muito mais educativo e pedagógico a análise da aprendizagem do que a nota numérica.

Por que toda essa reflexão inicial?

Porque de aproximadamente 50 alunos, 7 ficaram em recuperação. Isso me fez refletir bastante. A Unidade de Aprendizagem, usou e abusou dos conteúdos conceituais e também dos procedimentais e atitudinais. As perguntas que eu me fazia eram: Por que eles não conseguiram o nota para aprovação direta (sem exame)? Onde falhei? Onde eles falharam? É um "furo" na Ua?

Comecei analisando as questões individuais. Alguns alunos entraram no meio do ano, com a UA em andamento. Assim, penso que foi uma questão de adaptação. Outros não tiveram durante a UA uma postura de aprendizagem, não estavam abertos para aprender. A escola para estes alunos era somente um bom local de lazer. Também tiveram casos de dificuldade de aprendizagem, que vai além da sala de aula. Inclusive apontado no Conselho de Classe final para acompanhamento de outro profissional (psicólogo, médico, fonoaudiólogo).

Pensando na UA, sei que ela não é perfeita. Precisei reavaliar muitas vezes as atividades, ela nunca será ideal, mas por estar encantada com os resultados da grande maioria dos alunos, não consigo enxergar qual é o "furo" aqui. Isso vai demandar ainda muita reflexão.

Para elaborar o exame levei em conta toda a aprendizagem que a UA produziu, as experimentações, as discussões, as interpretações, os exercícios de escrita, a postura crítica, o diálogo e tudo que isso repercutiu, como a autonomia, a colaboração, o respeito, a alteridade, a responsabilidade e tudo mais que não consegui avaliar.

As questões foram elaboradas para que os alunos, por exemplo, colocassem sua opinião sobre determinado assunto que havia sido discutido em aula. Assim poderia mostrar qual a aprendizagem desse aluno ao opinar e ouvir o outro.

O exame ficou assim:

1) Qual a diferença entre massa e peso?

2) Qual o volume ocupado por 39,5g de ferro? Densidade do ferro = 7,9g/mL

3) Imagine que um colega te peça que descubra entre dois tipos de madeiras qual é mais densa. Ele te dá duas amostras, com o mesmo volume, de cada material e uma vasilha com água. Como você resolveria o problema?

4) O filosofo Tales há muito tempo atrás fez uma pergunta: “Do que tudo é feito?” Com as informações que você tem hoje responda essa pergunta.

5) Esta figura representa um modelo da molécula da água. Por que para determinados assuntos científicos elaboramos modelos?

6) Com a descoberta das partículas (elétrons e prótons) dos átomos muito se avançou no conhecimento sobre eletricidade. A partir desse conhecimento explique o movimento, o fluxo da carga elétrica num circuito elétrico.

7) Isaac Newon ao decompor a luz verificou que ela é policromática. Nós também fizemos essa experiência com o prisma. O que ocasiona a emissão de luz?

8) Geralmente, os filmes que reproduzem guerras no espaço carregam nos efeitos sonoros dos bombardeiros, dos choques entre naves espaciais. Qual o fato de conhecimento científico relativo a propagação do som que os diretores de efeitos sonoros desses filmes desconsideram?

9) Um imã atrai um pedaço de ferro. É correto afirmar que o ferro também atraí o imã? Explique.

10) Como é que dois corpos se tornam eletrizados pelo atrito?

11) Daniela vestiu uma blusa onde havia o seu nome escrito. Ao chegar em frente ao espelho ela ficou admirada com a imagem de seu nome refletida no espelho. Qual dessas imagens é que ela viu no espelho? Por que isto ocorre?


12) Há dois tipos de carga elétrica, as negativas (-) e as positivas. Esse fenômeno ocorre com os pólos norte + e sul – de um ímã onde as forças magnéticas atuam mais intensamente. Quando ocorre a atração e quando ocorre repulsão entre ímãs?
13) Por que o astrônomo Carl Sagan disse que somos “Poeira das Estrelas”?

14) Quais princípios físicos que envolvem a produção de sons e imagens no telefone celular?

15) Explique a relação do consumo dos telefones celulares e a produção do lixo tecnológico.


A primeira e a segunda questões referem-se aos conteúdos trabalhados antes da construção da UA. Pensei que se a dificuldade destes alunos fosse em relação a UA eu poderia perceber isso nessas questões, mas isso não aconteceu.

O que aconteceu é que nenhum dos alunos em exame conseguiram a nota, mas ao analisar a aprendizagem, percebi que alguns deles mudaram sua postura e refletiram sobre o aprendizado. Outro fator foi que alguns alunos somente ficaram em exame na disciplina de Ciências analisando essas questões, minha reflexão é que a avaliação deveria ser analisada qualitativamente. Assim, dos 7 alunos somente 2 não foram aprovados.
Acredito que isso demonstra mais uma vez que a UA alcançou seus objetivos proporcionando o exercício da cidadania, a leitura de mundo e a reflexão crítica.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Feira Tecnológica

Para finalizar a Unidade de Aprendizagem, pensei em atividades que apostam na escrita, na interpretação, na reflexão, na criticidade e na abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade)relacionado a todo processo de ensino-aprendizagem e construção do conhecimento produzido na UA.

A proposta foi um trabalho em grupo, em duas partes. Uma de escrita onde os alunos produziram textos, com orientação para a formatação. Os itens sugeridos para a escrita foram:
Os princípios físicos que envolvem a produção de sons e imagens; Questionamento a respeito do que fazer com o “lixo tecnológico” gerado;Indicação das vantagens e desvantagens quanto ao uso, preço (custo-benefício), acesso ao maior número de pessoas, etc.

A segunda proposta era a produção de uma Feira Tecnológica com os seguintes itens: Construir um protótipo (pode ser desenho ou feito em papel) que demonstre o princípio de funcionamento dos celulares, com materiais alternativos e menos poluente ao ambiente; Elaborar um manual simples e prático para um usuário que ainda desconhece a tecnologia; Produzir uma propaganda do celular com fotos, filmes ou outro recurso que quiserem usar.

Disse aos alunos que eles iriam trabalhar sozinhos, mas em todos os momentos eu estava presente, como mediadora e orientadora. Pedia para refazer os trabalhos quando:
. Lia a produções textuais e percebia que eram cópias da internet ou estavam sem clareza;
. Chamava a atenção para que os materiais usados para a construção do aparelho celular fossem menos poluentes;
. O Manual não tinha a clareza necessária para um usuário que não conhece a tecnologia.

Fazia contribuições para as necessidades do desenvolvimento de cada etapa da atividade. Com relação as propagandas a maioria foram filmadas, somente um grupo decidiu pela apresentação no "PowerPoint".

A Feira tecnológica não aconteceu, era fim do ano letivo, as turmas são de 8ª série, assim a preocupação maior eram notas, formatura e viagem. Não fiz essa previsão e não tivemos espaço e tempo para apresentar a Feira. Como vou colocar todos os trabalhos aqui, acredito que esse espaço seja a apresentação para a comunidade local, regional e global. Gostei do envolvimento da grande maioria dos alunos nas atividades. Muitos verbalizaram que gostaram das atividades e que estavam aprendendo muito. Uns poucos, na verdade um aluno, manifestou que as atividades eram difíceis, por exigir que ele pensasse muito(palavras dele). O colega que estava no mesmo grupo não tinha a mesma manifestação.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A História das Coisas

Apesar de toda discussão com as propagandas, muitos alunos ainda defendiam o consumo da nova tecnologia do celular. Então pensei em continuar a discussão sobre consumo, para isso usei a História das Coisas, um filme norte americano que discute o consumo. Consegui o filme dublado que faz uma grande diferença na discussão posterior, os alunos não gostam de ler legendas. Mas acredito que aos poucos é necessário o uso de filmes legendados, é mais uma forma de aprendizagem.
A discussão após o filme foi entorno das questões de consumo, geração de lixo eletrônico e a sociedade capitalista de consumo.
Com as informações que obtive dos alunos preparei a última atividade.

Consumo consciente

As atividades que vou relatar agora estão relacionadas a discussão sobre consumo. Nessa atividade pensei em utilizar propagandas de telefones celulares e das suas operadoras. Já havia usado propagandas na Unidade de Gases Refrigerantes no PROEJA do CTI e foi muito bom na relação ensino-aprendizagem, vou tentar agora com os adolescentes, lá foram com os jovens e adultos, com certeza será diferente.
Selecionei as propagandas conforme o que pensei ser interassente para a discussão de consumo. Na primeira um casal flerta no sofá usando o celular, pois os filhos estão próximos. Os alunos acharam natural mesmo tão próximos, o casal mandar mensagens pelo celular, para que os filhos não percebessem a intenção do casal. Minha problematização foi a seguinte: "Quando não havia o celular os casais então não fletavam?". Os alunos acabaram dizendo que sim só que de outra forma. Problematizei novamente: "É realmente necessário uso de celular para esse fim, em casais que estão próximos fisicamente?". Eles acabaram chegando a conclusão que a propaganda faz ter o desejo de ter o celular para se ter privacidade.



As próximas discussões que pensei, foram relacionadas ao público alvo das propagandas. Como já haviamos chegado a conclusão que as propagandas provocam desejos para quem são direcionados esses desejos. As direcionadas ao público jovem sempre tem música, baladas, jogo rápido de camêra (dando sentido de grande movimento) e esportes radicais. Para o público feminino, características românticas inclusive com casal de crianças, que acabamos concluindo tem dupla finalidade, o consumo feminino e das próprias crianças. Numa das propagandas um rapaz pedi a namorada em casamento usando o celular descendo de páraquedas, as meninas suspiraram ao ver, perguntei aos meninos se gostaram daquela propaganda, ou se ela chamava a sua atenção. Nenhum dos meninos disse que chamava atenção, disseram que não desgostaram, foi efêmera. Levantei a discussão de que a propaganda mostrava o desejo feminino e não o masculino.














As últimas propagandas que usamos para discussão foram uma que ironiza o papel do celular, mostrando em diversas situações, sendo usado com aquecedor, prensa de lanche, fax, secador de cabelos, ferro de passar roupas entre tantos outros. Foi uma maneira fácil dos alunos perceberem o quanto a tecnologia quer "simplificar" a vida do usuário, através da pretensão de que o uso de um aparelho originalmente somente para a comunicação entre as pessoas, passa a ter várias utilidades.


Por fim passei uma propaganda da antiga TELESP (São Paulo), que mostra um orelhão morrendo por ter sido depredado. A discussão foi riquíssima, girando em torno da função dos telefones, respeito ao bem público, ao porque o consumo de celular é maior que ao do telefone fixo, taxas de telefonia.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cantando e Aprendendo

Antes mesmo de terminar o conteúdo conceitual SOM, já estava pensando em iniciar a discussão sobre a função da comunicação, as características tecnológicas do telefone celular, análise das propagandas de celulares, enfim aprofundar a questões relativas ao tema gerador desta Unidade de Aprendizagem, TELEFONE CELULAR.
Comecei procurando poesias, músicas, textos em revistas e livros, pois pensei em trabalhar com interpretação. Estava com dificuldade, então decidi pesquisar em livros didáticos. Acabei achando na Coleção "Ciência e Sociedade - 8" de Odete Gasparello Bertoldi e Jaqueline Rauter de Vasconcellos da Editora Scipione, 2005, a música de Gilberto Gil de 1992 Parabolicamará. A melodia é música de capoeira, o título une a palavra parabólica com a palavra camará a maneira que os jogadores de capoeira escolheram para chamar seus parceiros, camaradas, enquanto dançam e cantam. A letra relaciona o tamanho do planeta e a comunicação, seja pelas antenas parabólicas, avião, onda luminosa, relacionando a evolução tecnológica com o antigo, como sempre tem o berimbau e o ritmo de capoeira que nos dá a sensação de roda, de movimento. Pode se acessar a letra e ouvir a música na página oficial do compositor.
Ouvimos a música acompanhando a letra, os alunos não se motivaram a cantar, minha avaliação é que eles não se apropriaram dessa cultura da capoeira. Mas sempre acredito que é importante eles conhecerem outras formas de músicas, não trabalhar somente com as que eles gostam de ouvir.Discutimos a letra e o que ela propõe, foi muito bom teve um grande envolvimento. Depois, sugeri que respondessem as questões propostas pelo livro que perguntava sobre a mudança do tamanho do mundo proporcionado pelas comunicações, relacionar a antena parabólica com o tamanho do mundo, a comparação entre a tecnologia e os costumes mais antigos do nosso povo e a reflexão sobre o título da canção. Propus também uma produção textual onde os alunos relacionassem as Comunicações e as Fronteiras do Mundo.
Fizemos uma nova discussão após as respostas das questões e a produção textual. Gostei do resultado pois notei que os alunos entenderam que a tecnologia encurta as distâncias e quebra fronteiras. O que preciso aprofundar é a questão do "consumo excessivo" pois a manifestação dos alunos foi a de ter acesso a todas as tecnologias, inclusive ressaltaram a importância de se trocar constantemente de telefones celulares para estar sempre "high tech".
Com essas informações fica fácil preparar as próximas atividades.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Som

Minha reflexão sobre o conteúdo SOM, partiu da fase dos meus alunos, a adolescência, afinal a produção do som seja nas conversas ou nas músicas é essencial para a caracterização da oscilação entre a vida adulta e a infantil. As músicas podem diferenciar grupos; caracterizar a vestimenta e seus acessórios, como bonés, lenços e faixas no cabelo; desenvolver diferentes formas de dançar; promover crítica social; supervalorizar a sensualidade e mais um universo sociocultural. As indústrias de aparelhos celulares têm essa informação e investem tecnologicamente cada vez mais no aparelho para baixar, ouvir e digitalizar músicas, sintonizar rádios, permitir o acesso às novas tecnologias MP3, MP4 e várias outras. Nas propagandas destes aparelhos voltadas para os jovens privilegia a comunicação rápida e necessária à idade, para paquerar, namorar, fofocar e mais uma série de atrativos irrecusáveis na adolescência.
Essa é minha percepção, mas gostaria de saber quais as informações e saberes que os alunos têm sobre o Som. Pedi para que respondessem perguntas sobre a produção da voz humana e dos sons em instrumentos musicais; sobre o meio (sólido, liquido e gasoso) de propagação do som e refletissem sobre a velocidade da luz e do som, pensando nos raios e trovões.
Ao obter as respostas, percebi que poucos haviam refletido sobre algo que eles gostam e priorizam tanto e que os alunos tinham pouca ou nenhuma informação, mas que ficaram curiosos em se apropriar deste conhecimento.
Partindo do que os meus alunos me mostraram, novamente pensei nas experimentações. Para iniciar pedi a um aluno que de costas ouvisse seu nome dito pelos colegas, ele devia dizer quem era o colega. Nessa atividade discutimos timbre, altura e reflexão do som. Discutimos também a produção, recepção, transmissão e interpretação da mensagem, pois muitos alunos por não conversarem com alguns colegas não reconheciam a sua voz.
Batemos nas mesas com as orelhas coladas, para sentir a vibração. Discutimos a questão de filmes que mostram essa técnica, eles me falaram do filme “Missão Impossível”. Eu falei dos filmes de Bang Bang, fora da realidade deles, mas como parte da minha geração. Esse confronto foi bom para trocarmos informações e conhecimentos, mesmo eles zombando da minha idade.
Outra experimentação foi para mostrar que mesmo não enxergando as ondas sonoras elas se propagam em diferentes meios como o ar. Usei um plástico com açúcar encima preso com elástico a uma lata, batia na tampa da lata a certa distância e o açúcar movia. Pedi que ao produzirem o texto após as experiências novamente desenhassem as ondas. Agora eles não reclamam mais em desenhar o invisível, minha reflexão é que já perceberam que existem modelos. Acho isso ótimo, pois é um dos objetivos da UA, que eles entendam a construção de modelos para o que é invisível aos nossos olhos.
Depois usei uma mola de plástico de brincadeira infantil, como uma mola “Slinky” para mostrar as perturbações e os fenômenos ondulatórios. Para mostrar a perturbação na mola, fomos todos para a escada interna da escola, os alunos fizeram muito barulho, normal quando se está construindo conhecimento, eles aplaudiram, falavam muito, riam, estava realmente divertida a experimentação. Apareceram na escada o André diretor do CAIC e o Saul, administrador, percebi que quando viram que era aula não se incomodaram, até participaram, mas avaliei que poderia atrapalhar as outras aulas, assim na outra turma (80) eu fiz a atividade no pátio.
Os alunos ficaram entusiasmados com as experiências, discutiram bastante, relacionaram com as questões cotidianas, fizeram muitas perguntas. Uma dessa perguntas foi do aluno Rodolfo, o porquê se ouve diferente o som da sirene quando o carro está próximo e longe. Falei sobre o efeito Dopller, os outros alunos se interessaram e demonstraram que não haviam percebido essa variação e não entendiam minha explicação. Minha sugestão foi fazer experiência na outra aula, pedi a uma aluna a Shaiana que vem a escola de bicicleta para não faltar (como de costume) pois precisaria dela e da sua bicicleta.
No dia marcado os alunos das outras turmas já sabiam que íamos fazer uma atividade e me cobravam que fizesse com eles. Eu já ia fazer, eles são ansiosos por novidades, mas eu também sou!
A Shaiana veio, pedi um apito emprestado ao prof. Claudinei de Educação Física, e ao lado do CEAMECIM, nós nos posicionamos no meio do caminho, a aluna vinha na bicicleta do lado Caic até a direção do ponto de ônibus. Primeiro devagar apitando, depois depressa e deu para perceber claramente a diferença quanto aos sons agudos ao se aproximar e graves ao se afastar.
O aluno Jéferson filmou com a máquina digital, mas infelizmente por algum erro meu ao passar para o computador sumiu e eu não consegui recuperar. As fotos da turma 80 ficaram com o Péricles na bicicleta. Fiquei bem chateada com essa problema tecnológico. O que compensou foi que os alunos gostaram muito da atividade e entenderam o efeito Dopller.
Na turma 80 o envolvimento com a atividade não foi tanta quanto à turma 81, acredito que essa diferença se deva a idéia de fazer a atividade surgiu da dúvida de um aluno que se expandiu para a curiosidade coletiva da turma.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Magnetismo

Pensando ainda no tema gerador "Telefones Celulares” e para reforçar os conteúdos conceituais, pensei em aprofundar o conceito de magnetismo. Percebia ainda certa fragilidade neste conceito por alguns alunos. Lembrei de um filme da Superinteressante Coleções da série "Entenda seu Mundo" o Entenda o Magnetismo - A força invisível. Assim continuaria trabalhando com modelos invisíveis, mas com uma característica mais marcante que os modelos atômicos, pois podemos sentir muito mais os efeitos dessa força. Escolhi esse filme por que ele é muito didático e provocativo ele inicia mostrando a relação cotidiana que temos com o magnetismo e o quanto dependem atualmente desta força invisível nos diversos aparelhos que temos em casa. Através das questões históricas, científicas e tecnológicas o filme aborda:
A descoberta da magnetita;
As atribuições dadas pelos homens ao processo curativo da magnetita;
A direção dos campos magnéticos e a localização espacial pela bússola;
A relação com os modelos atômicos e as características dos metais;
A constituição das camadas magnéticas na geologia;
O biomagnetismo desde os seres vivos microscópicos até aves que possuem a característica de se localizarem pelos campos magnéticos;
O uso do termo magnetismo como sinônimo de simpatia e fama;
As características do eletromagnetismo;
As possibilidades tecnológicas atuais e futuras do uso do magnetismo.

Após vermos o filme, esclarecer as questões levantadas, debatermos sobre as características do magnetismo pedi aos alunos uma produção textual com o título "O magnetismo na minha vida". O que mais os alunos abordaram foi o magnetismo nos eletrodomésticos e o levantado no enredo de forma metafórica que é a atração entre os seres humanos. Analiso a questão da atração, pela fase dos alunos, adolescentes na idade de 14 e 18 anos estão muito mais preocupados com namoros e as sensações pouco explicáveis das explosões hormonais. Pensei em problematizar essas questões, mas avaliei que sairia do planejando nessa Unidade de Aprendizagem e o CAIC através da área da saúde já estava com um projeto para discutir a sexualidade, assim desisti da idéia.
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Espelhos e Lentes

Ainda no conteúdo ÓPTICA, pensei em trabalhar alguns experimentos. Iniciei por espelhos e lentes, possibilitando a discussão de alguns conceitos como luz, fontes de luz, reflexão, refração, dispersão e conceitos como translúcido, opaco e transparente. Percebi que esses tipos de fenômenos chamam a atenção dos alunos. Eles fizeram variadas perguntas, quase sempre relacionadas a curiosidades e os experimentos acabam respondendo na prática essas inquietações da produção do conhecimento. Gosto disso, fico satisfeita com minha função de professora nestes momentos. É bom sentir essa explosão de saber, fazer, sentir, aprender que a ao meu ver só acontece na sala de aula. Acaba assim reforçando o por quê eu gosto tanto de trabalhar na área da Educação. É prazerosa a sensação de aula de mão dupla, onde a movimentação é a de aprender e ensinar.
Nessa atividade retomei o que havia feito na atividade experimental anterior (eletrização) onde para registrar a aula dei a máquina fotográfica para alguns alunos. Inicialmente somente com a função do registro não tinha me dado conta do quanto isso é riquíssimo. Quando vi as fotos percebi o quanto é importante o olhar do aluno. Muitos querem fazer as fotos, outros não ligam, mas o importante é a perspectiva que ele tem em relação a aula que dá para perceber pelos registros fotográficos ou escritos, como o pedido após essas experimentações. Interessante também que a grande maioria não tem máquina fotográfica, eu mesma só adquiri uma digital no mês de Maio. Assim, os alunos também acabam conhecendo uma nova tecnologia que não está tão distante, afinal a maioria dos celulares deles tem câmera digital, sendo mais uma forma de conhecer o mundo tecnológico que os fascina e só conhecem por propagandas ou pela massificação das mídias na nossa sociedade liberal que se aclama como igualitária.
Foi interessante também ver os alunos que conhecem, têm e/ou utilizam máquinas digitais ensinando os que estão usando e não têm domínio do uso. Novamente vejo a função da educação no aprender com o outro que não é necessariamente a professora. Nesta fase do processo de ensino aprendizagem, uma das turmas fez um filme na máquina digital (eu por exemplo não tinha usado ainda este recurso), outra maneira de mostrar o olhar dos alunos.
Outra proposta nesta atividade foi em relação ao texto produzido após as experimentações, desta vez pedi para que eles relatassem os experimentos (lentes e espelhos) e colocassem suas compreensões, observações e entendimentos. Depois entreguei o livro "Construindo Consciências- 8ª série" organizado pelo Grupo APEC (Ação e Pesquisa em educação em Ciências, de Minas Gerais) da Editora Scipione, pedi que comparassem o relato feito por eles com os conceitos apresentados no texto do livro. Com essa comparação fizessem um novo relato indicando o que era coincidente com o que haviam escrito primeiramente, o que era novo e o que era conflitante. Muitos copiaram do livro, eu lia e pedia para refazer enfatizando a importância da construção de um novo texto. Os alunos manifestaram após esse exercício a importância de ler, reler, comparar, escrever e reescrever.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Luz

Partindo do tema gerador, telefone celular, pensei em abordar um pouco de óptica. Como já pensava no "para que" abordar, minha reflexão era o que realmente seria importante para o ensino fundamental. Pensei então em qual seria a construção do modelo físico de óptica interessante para que os alunos relacionassem fenômenos simples de óptica do dia a dia e da tecnologia dos celulares. Optei por apresentar as características da luz que se propaga em linha reta; problematizar a velocidade da luz; fazer experimentos que mostram a emissão e reflexão da luz; características das cores; funcionamento e percepção luz pela visão e no sistema nervoso.
Para iniciar mostrei o filme "Einstein e a Relatividade" que faz parte da série "Mundos Invisíveis" do Marcelo Gleiser que passou no Programa Fantástico. Após o filme discutimos a questão da luz ser onda ou fóton, de uma maneira básica, a linguagem do filme é acessível e permitiu entender que a luz como os físicos colocam pode ter também características de máteria.

Consumo de Energia

Para finalizar as atividades de eletricidade, fizemos uma discussão sobre a relação da eletricidade e o modo de vida das pessoas. Dialogamos sobre elementos de um circuito elétrico simples; cuidados e riscos no uso da eletricidade; uso racional e desperdício de energia:medida do consumo de energia elétrica; choque elétrico: seus efeitos fisiológicos e ligados ao sistema nervoso e por fim como manipular, com segurança, aparelhos e circuitos elétricos.
Para essa atividade, pedi que os alunos pesquisassem previamente em manuais de aparelhos elétricos e trouxessem as contas de energia elétrica.
Poucos se motivaram com a proposta, mas mesmo assim os que não fizeram a tarefa envolveram com perguntas mais relacionado aos choques.
Com relação a "conta de luz" alguns me disseram que não têm, minha conclusão é que são as ligações clandestinas, os famosos "gatos". Problematizei essa questão e eles defendem que quem não têm dinheiro pode fazer o "gato", provoquei dizendo que assim as outras pessoas acabam pagando o consumo destes que não pagam, mas eles continuaram inflexíveis, dizem que quem pode tem que pagar por aquele que não pode pagar. Percebi que essa questão é polêmica e faz parte da cultura deles.
Muitas contas recebem o benefício de desconto da CEEE (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica) chamada de tarifa social que é dada a famílias de baixa renda com a seguinte característica, residencial monofásica com média mensal de consumo (calculado com base nos últimos 12 meses) entre 0 e 80 kWh e que não apresente nesse periodo mais de um consumo superior a 120 kWh.

A proposta de desconto para o consumo residencial é a seguinte:

Redução
Consumo mensal até 30 kWh 65,60%
Consumo mensal de 81 A 100 kWh 40,00%
Consumo mensal superior a 160 KWh 0,00%
Consumo mensal de 31 a 80 kWh 40,05%
Consumo mensal de 101 A 160 kWh 10,00%

Aprendi muito nessa atividade, uma das aprendizagens é que eu pensava que a tarifa social era um valor fixo ao ver que cada conta para os mesmo valores de consumo tinha uma tarifa diferente, fui buscar a proposta de desconto para entender. Outra é relacionada a questão das ligações clandestinas, apesar da questão ética, os alunos admitem e caracterizam como uma "justiça social".

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A Evolução Cósmica

Para responder a pergunta do Everton que ao meu ver ficou incompleta na aula anterior, resolvi apresentar o Filme: "Evolução Cósmica do Começo ao Fim" distribuído pela editora Dueto junto com Scientific American Brasil e produzido pela York Films of England em 2007 com 60 min. Através de imagens e animações o filme teoriza sobre o passado e o presente através do Big Bang. Faz uma viagem pela Via Láctea e por buracos negros, e mostra pela concepção das leis físicas como tudo terminará um dia, com o fim do Universo.Mais informações em http://www2.uol.com.br/sciam/exploracaodoespaco/
A partir destes conceitos físicos sugeri a produção textual " Há vidas em outros planetas?"
Muitos relacionaram a produção de matéria pela Big Bang com outras estrelas e outras galáxias e a possibilidade de vida em outros planetas, outros alegaram que por questão religiosa não poderiam aceitar vida em outros planetas, alguns usaram argumentos que se existissem seres em outros planetas os astronautas "falariam".
Isso me mostrou o quanto para temas polêmicos o posicionamento de cada um depende dos valores, crenças e criticidade de cada aluno.
O diálogo após a entrega das produções textuais girou em torno da defesa dos argumentos usados. Percebi que os que alegavam questões religiosas não defendiam oralmente a sua tese e ficavam na defensiva somente afirmando que não havia e pronto.
Gostei muito dessa atividade, apesar de parecer que não está relacionado aos telefones celulares (nosso tema gerador) minha leitura é que quanto a posição em relação aos temas científicos é importante a polêmica para que os alunos pensem criticamente sobre as informações que recebem.

A Carga Elétrica e a Estrutura dos Átomos

Para completar o estudo sobre cargas elétricas e a organização interna dos átomos propus a leitura do texto: "A Carga Elétrica e a Estrutura dos Átomos" da página 56 do Livro Didático - Construindo consciências: Ciências, 8ª série - 1. ed. - São Paulo: Scipione, 2006 de autoria do grupo APEC - Ação e Pesquisa em Educação em Ciências. Este texto aborda a eletrização a partir de modelos e o desenvolvimento histórico de forma simplificada até chegar ao modelo atômico de Rutherford.
O texto gerou várias discussões entre elas:
- o que é visível existe e o que invisível não existe;
- porque a Ciência constrói e utiliza modelos;
- propriedades dos materiais em isolar ou conduzir corrente elétrica.

Nessa aula o aluno Everton perguntou como surgiu a "primeira matéria". Respondi que foi através da origem do Universo e planejei a próxima atividade com base nesse conceito teórico.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Eletrizando

Com o objetivo de continuar construindo modelos e introduzir aspectos da natureza elétrica dos átomos e das partículas que o constituem, essa atividade apostou na experimentação de eletrização por atrito. As atividades foram: eletrização com lã de bolas de borracha e da parte plástica de canetas. Os alunos fizeram as experimentações, observaram fenômenos de repulsão e atração, depois produziram textos explicando a atividade. Percebi que esse tipo de atividade atraiu a atenção, produziu discussão e curiosidade pelos alunos. Os textos produzidos mostram que o modelo de diferentes cargas elétricas (positivas e negativas)é familiar aos alunos que é (re)significada ao ser observado na prática de forma organizada e com características científicas. Um dos conteúdo conceituais trabalhado foi o fenômeno eletrostático. O conceito de transferência de elétrons e eletrização fez a ligação entre o modelo atômico de Rutherford (a grosso modo) e os fenômenos elétricos que podem ocorrer no telefone celular. Conteúdos atitudinais como escuta do outro e observação,procedimentais de trabalho em grupo e autonomia também foram caracterizados nessa atividade.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Eletricidade

Decidi usar os filmes do Beakman para mostrar o que é e como funciona a eletricidade. Gostei da escolha. Os alunos se interessaram pelo assunto. O filme é esclarecedor e os alunos dialogaram bastante sobre o que aprenderam e o que conhecem. Queriam saber sobre choques e raios, perguntei o que eles sabiam e depois falei o que eu sabia.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Modelos atômicos

Nessa atividade após os alunos assistirem dois vídeos. Um sobre modelo atômico e outro sobre as características dos elementos químicos, dialogamos a partir de uma tabela periódica as famílias e períodos.
Percebi que após muitos anos como professora de química, ficou muito mais claro o que é um modelo, mesmo que seja invisível. O que penso é que as atividades de construção de modelos invisíveis e a atividade da descrição do que há na caixa preta, ajudaram nessa construção do conhecimento.
Para a aula eu trouxe ímãs com pólos opostos, os alunos manipularam e observaram a atração e repulsão das cargas. Também foi uma ação que ajudou muito para entender o modelo atômico.
Os alunos (da turma 80) perguntaram sobre porque os elétrons ficavam em movimento e os prótons não. Problematizei fazendo sobre perguntas do que poderia levar a essa aos prótons não serem atraídos pelos elétrons e estarem em movimento, algumas conclusões que os alunos chegaram foram os elétrons poderiam estar a uma distância que não poderia atrair os prótons. Outra ficou relacionada aos nêutrons que segundo os alunos faria uma "capa" para os prótons. Percebi que apesar de só mostrar os ímãs os alunos construíram um conhecimento sobre magnetismo e relacionaram ao modelo atômico comparação de distância ajudaram nessa questão.
Começei a introduzir as função dos elétrons, para dialogarmos sobre eletricidade, outro conceito importante para chegarmos ao celular.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Desenhando o invisível



Esta atividade foi realizada em 10 e 11 de junho de 2008. Para desenhar o invisível, fizemos duas experimentações. Uma com bexigas e tubos de ensaio. Que quando colocado em água quente movimenta o ar dentro do tubo e eleva a bexiga.
Na segunda experiência com uma seringa de injeção com o bico tampado, comprimimos e expandimos o ar preso na seringa.
Após as duas experimentações, pedi que os alunos desenhassem o invisível. ou seja, que desenhassem um modelo para o que eles imaginavam que acontecia com as partículas do ar dentro dos recipientes usados.
Na turma 81 a primeira que fez a experiência, encheu pouco as bexigas,corrigi isso na turma 80 pesquisando em livros, assim aprendi que,usando tubos mais finos e água mais quente,o problema foi sanado.
0 que mais me fragilizou foram três alunos da turma 81 que não devolveram as bexigas ao final da aula. Fizeram brincadeiras que terminou com uma menina da sala recebendo pela janela da turma uma bexiga cheia de água. Conversei com os meninos uma semana depois, apesar que no primeiro instante fiquei bastante irritada. Dialoguei com eles mostrando o que acarretou a brincadeira a mim, aos colegas e a eles . Perguntei o que acrescentou a aprendizagem deles, eles não responderam ficaram pensando, o que eu não sei. Propus que eles parassem com as brincadeiras e até hoje 11 de agosto eles não mais fizeram algo parecido.
Outras aprendizagens foram construídas nesta atividade. Inicialmente tive uma pouco de preocupação, afinal iria pedir para desenhar o que eles não vêem, apesar de já ter feito isso em outra atividade. Depois pensei que ousar, até agora, sempre trouxe um aprendizado, seja para os alunos ou para mim.Apostei no exercício de criatividade e tive uma bela resposta dos alunos, que me ensinou a ver onde cada grupo de alunos está no aprendizado. Eles criaram modelos, através de cobrinhas, bolinhas, fluxo do ar com ranhuras ou nada desenharam por acreditar que não havia nada quando o tubo estava no frio ou a seringa destampada.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Nomeando os elementos químicos

O texto a seguir foi retirado do Livro: “Tio Tungstênio - Memórias de uma infância química” de Oliver Sacks – Editora Companhia das Letras p. 66-67

Nesse livro, Oliver Sacks narra sua memória de infância, através da admiração por seu Tio Dave, o Tio Tungstênio assim chamado por ser fabricante de lâmpadas com esse metal. Nessa parte escolhida Oliver narra uma visita ao Museu de Geologia em Londres e o seu conhecimento sobre os nomes dos cristais e dos elementos químicos.


http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-40422003000400030&script=sci_arttext

...”Muitos elementos haviam recebidos os nomes do foclore ou da mitologia, o que às vezes revelava um pouco de sua história. Cobalto provinha de kobold, um duende ou espírito mau; níquel origina-se de nickel, ou diabo; ambos eram termos usados por mineiros saxões quando os minérios de cobalto e níquel se mostravam traiçoeiros, não se prestando ao que se esperava deles. O tântalo suscitava visões de Tântalo atormentado no inferno pela água que se afastava toda vez que ele se curvava para bebê-la; li que esse elemento recebeu seu nome porque seu óxido era incapaz de “beber água”, ou seja, de se disolver em ácidos. O nióbio devia seu nome à filha de Tântalo, Níobe, porque esses dois elementos eram sempre encontrados juntos

Outros elementos tinham nomes retirados da astronomia. Havia o urânio, descoberto no século XVIII e batizado com o nome do planeta Urano; alguns anos mais tarde, o paládio e o cério ganharam seus nomes em homenagem aos asteróides recém-descobertos Palas e Ceres. O telúrio tinha um belo nome grego, e nada mais natural que, ao ser descoberto seu análogo mais leve, ele recebesse o nome de selênio, como a Lua.

Encantava-me ler sobre os elementos, como haviam sido descobertos, conhecer não só os aspectos químicos, mas também o lado humano do empreendimento; tudo isso, e muitas outras coisas, aprendi em um livro fascinante publicado pouco antes da guerra por Mary Elvira Weeks, The discovery of the elements. Nesse livro obtive uma vívida idéia da vida de muitos químicos, da grande variedade, e às vezes excentricidade, de caráter que eles encerravam. E ali encontrei citações de cartas de químicos antigos, que falavam dos momentos de empolgação e desalento no tateante caminho para suas descobertas, da ocasional perda de rumo , dos becos sem saída e da tão esperada concretização do objetivo.”...

Faça uma narrativa explicando o significado do seu nome e porque foi escolhido por seus pais. Depois conte se você descobrisse um novo elemento químico qual nome daria e por que.

Caracterizando os Elementos Químicos



Apropriei de uma idéia da Maria do Carmo Galiazzi de como produzir um jogo, tivemos essa conversa no EDEQ 2007 - Erechim. A proposta é propor a classificação dos elementos químicos para os meus alunos que a priori nunca viram uma tabela periódica.
No dia anterior eu pensei que não iria dar certo. Mas a proposta na turma 81 foi bem acolhida. Eles pensaram muito, ficaram bem concentrados. O mesmo aconteceu com a turma 80. Na verdade eles adoraram fazer isso.
Primeiro eu os lembrei da atividade da 6ª série, onde eles tinham que usar um critério para classificar diferentes botões. Na época eles usaram, número de furos, cor, material, tamanho e muitos outros.
Como entreguei a relação dos elementos com o número atômico, símbolo e nome. A grande maioria usou o critério ordem alfabética dos símbolos. Mas foram bem criativos na organização.
Depois vimos mais um filme da série do "Mundos Invisíveis" do Marcelo Gleiser no Fantástico.



domingo, 11 de maio de 2008

Questionário devo abolir?

No 3º encontro com a turma 80 fiz a leitura e o questionário mesmo que o pedido não tenha vindo da sala deles. Alguns alunos manifestaram contentamento com a atitude, depois reclamaram das perguntas que não estavam no texto.

Os Alquimistas e Cientistas

No 4º encontro com a turma 81 passei o filme dos Alquimistas e dos Remédios (da mesma série do Marcelo Gleiser). Problematizei a questão da necessidade de ouro e do elixir da longa vida, com a época histórica dos alquimistas e a relação com a época atual. Foi muito interessante ver esse movimento do pensar, do refletir, de um tentar completar o pensamento do outro e ao final chegar a uma conclusão que denomino provisória. Depois ouvimos a música do Jorge Ben Jor e falamos sobre a personalidade e os fazeres dos alquimistas. Depois eles escreveram: “Minha vida de Alquimista.”

No 2º encontro com a turma 80, apresentei os filmes sobre os Alquimistas, problematizei. Depois foi a música. Diferente da outra turma, eles riam e faziam caretas enquanto a música tocava, vi logo que não estava agradando, mas continuei com meu propósito. Não chamei a atenção deles pelo o que eles estavam fazendo.

O interessante foi quando eu pedi para fazer o texto, eles reclamaram muito, diziam que não entendiam que era complicado. Explique várias vezes, alguns faziam e vinham me mostrar, eu via que eles estavam falando da sua vida, não se imaginavam alquimistas. Falava para toda turma, explicava novamente que eles tinham que se imaginar alquimistas. Alguns pediam para eu iniciar o texto na lousa e depois eles continuariam, claro que não fiz isso!

Isso me intrigou, porque eles tiveram tanta dificuldade e a outra turma não, peguei os textos da outra turma e vi que somente 4 alunos de 25 falavam dos alquimistas...Minha decisão foi o seguinte, conversar individualmente com cada aluno e pedir para refazer o texto.